segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Cinema

Vez ou outra eu também tenho vontade de ser ator de cinema. Para encenar as cenas que eu mesmo penso, que também seriam dirigidas por mim. Ou pelo Tarcísio.

Hoje mesmo eu tive uma idéia. Minhas idéias nunca são de roteiros completos. São apenas cenas que surgem do nada e vão para lugar algum. Mas quem sabe, a partir delas alguém tenha uma idéia para escrever um roteiro.

Nessa cena, um ex-casal se encontra no shopping e acabam sentando-se para almoçarem juntos. Ele é um escritor em busca de uma boa inspiração para um livro. De todos os que já escreveu (três), nenhum foi um estouro. Tiveram boas e más críticas, mas ele ainda acha que consegue ir mais longe. Apaixonado por ela, acredita que sua falta de boas idéias vem da falta de sorte no amor.

Ainda assim, o bom-humor é sua principal característica. Aliás, ele pensa que esse bom-humor também o atrapalha. Seus textos nunca são suficientemente dramáticos, acredita.

Ela é uma professora do primário. O sorriso é sua marca registrada. Louca por ele, mas um tanto insegura sobre ela mesma, por vezes acredita sempre fazer as escolhas erradas.

Os dois se apaixonaram, mas, como várias outras coisas em suas vidas, não deram certo. O por que nenhum dos dois sabe. Mas estão procurando a resposta. Durante o almoço, entre os mais diversos papos eles chegam até o diálogo a seguir.

Ela: - Você sempre tem resposta para tudo?

Ele: - Tudo? Não mesmo...

- Mas você sempre teve resposta para as coisas que te falei, que te perguntei...

- É. O problema é que nem sempre foram as respostas certas, né?

- Acho que sim. Suas respostas sempre foram corretas. Eu é que nunca soube o que fazer com elas. Tanto que fui para o caminho errado e levei toda essa história ao fim.

- Fim? Quem te disse que chegou ao fim? A história é sua. Quem escreve ela é você. Se você não acha que esse é o melhor final, basta reescrevê-lo.Toma aqui.
(Ele tira um bloco de anotações em branco e uma caneta e entrega a ela. Abre o bloco na última folha e escreve no canto inferior da página: FIM)
O bloco e a caneta estão em suas mãos. Ele está em branco. Só se sabe que aqui é o fim. O que vem escrito em todas essas folhas em branco é você quem decide. Certo?

- Certo...

- Então me dá licença. Estou atrasado! Preciso encontrar meu editor...

- Ta legal. Vai lá. Eu não disse que você sempre tem resposta para tudo?

- Pode ser. Tomara que dessa vez você faça a escolha certa. Tchau...

Ela abre o bloco e escreve na primeira folha:
Capítulo 1: A única resposta
Eu amo um escritor!

4 comentários:

Iêda disse...

somos do mesmo planeta! certeza!!!

paula barros disse...

Enquanto não torna-se ator de cinema, continue sendo o ator principal e o diretor da sua vida. Este caminho parece-me que vc já está trilhando.
Já tem livro publicado?
Antes de ir para Hollyood que tal um livro para estes leitores que vivem por aqui.
Gosto da sua criatividade, e da forma de escrever.

paula barros disse...

Ando comentando seus textos com minha filhota adolescente. Gostaria que ela lesse o blog, ela ainda não se entusiasmou, porém escuta meus comentários sobre seu blog, já é alguma coisa. Fico imaginando sua mente borbulhando e fatos diários virando histórias, muito bom.

Tarcísio disse...

Muito boa Belota!
Principalmete porque eu estou nesse! ahahhahahaha
Mas ficou irado
Beijão garoto!